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Como alguém que navega na categoria do ambivertido (num dia posso adorar estar rodeada de gente e sentir-me energizada, e no outro precisar desesperadamente de silêncio e tempo sozinha) demorei algum tempo a perceber como estar bem sem culpa.
Com o tempo fui aprendendo o que me traz energia e o que me drena. Sei, por exemplo, que prefiro jantares até quatro pessoas ou eventos tipo buffet, onde posso circular entre pequenos grupos de conversa. Também percebi que não sou “esquisita” (ou melhor, sou, mas estou bem com isso 🫣) quando me refugio no silêncio da varanda a ver a vista dos meus amigos, enquanto os outros continuam a conversa na sala.
Hoje quero partilhar algumas formas práticas de manter o bem-estar durante esta temporada cheia de eventos sociais e familiares, especialmente se corres o programa da introversão.
Entende a drenagem
Introvertidos e extrovertidos diferem no nível de estímulo externo que precisam para se sentirem bem, no que os energiza e no que os esgota.
Os extrovertidos ganham energia com o convívio, novas pessoas, festas, movimento. O chamado “ideal extrovertido” da nossa cultura sugere que ser feliz é ser sociável, comunicativo e confortável no centro das atenções.
Já os introvertidos florescem em contextos mais tranquilos: uma conversa a dois, um livro, um jantar calmo. Estar num evento com música alta e muita gente pode ser demasiado estimulante, levando à exaustão.
Se ainda estás a ler, provavelmente identificas-te mais com o lado introvertido e não estás sozinho. Entre um terço e metade das pessoas são introvertidas.
A chave não é tentares tornar-te extrovertido, mas sim honrar a tua necessidade de quietude e recarregar as tuas energias.
Mesmo que adores uma festa, é natural sentires-te drenado depois. Muitos introvertidos só querem estar de pijama no sofá quando tudo acaba. E está tudo bem.
Prepara-te e negoceia (sobretudo se tens parceiros extrovertidos)
Para evitar culpa e esgotamento, ajuda planear com antecedência e alinhar expectativas, especialmente se partilhas a vida com alguém mais sociável.
Estabelece uma cota: decide quantos eventos vais aceitar e, quando cumprires esse número, dás-te permissão para ficar em casa sem culpa.
Negocia o equilíbrio: se tu e o teu parceiro têm necessidades opostas, combinem uma alternância: metade das vezes sair, metade ficar em casa.
Acordem a hora de regressar: antes do evento, combinem uma hora para regressar. Se precisares de sair mais cedo, comunica o impacto com empatia (“Eu sei que te estás a divertir, mas estou exausta”).
Diz não sem desculpas: evita justificar demasiado. Um “não, desta vez prefiro ficar em casa” é suficiente. Recusar um convite é um ato de integridade contigo próprio. Se fizer sentido, explica o conceito da drenagem pois pode ajudar o outro a perceber que não é pessoal, é fisiológico.
Formas de sobrevivência durante um evento
Se optares por ir, usa estas ideias para gerires o nível de estímulo e preservares a tua energia:
Procura conversas profundas: introvertidos são mais propensos a detestar conversa fiada. Em vez de te dispersares em conversas generalizadas, procura momentos de troca mais sinceros e significativos como conversas a dois.
Encontra refúgios: escolhe um canto menos movimentado, dá uma volta ou faz uma pausa para respirar num local tranquilo. Um pequeno passeio ao ar livre pode ajudar a restaurar a energia.
O poder da observação: adota o papel do observador interessado. Em grandes festas, podes sentir-te no meio da multidão, mas ainda assim num espaço próprio. Observa os detalhes, as expressões, o ambiente. É uma forma silenciosa e criativa de estar presente. Até podes imaginar que estás a fazer a reportagem do evento.
Usa adereços: levar um livro, um bloco de notas ou até usar o telemóvel pode servir como um “acessório” para sinalizar que precisas de um momento teu. Pequenos gestos que comunicam “estou aqui, mas preciso de espaço”.
Aprende a aceitar a tua forma de funcionar
Talvez o segredo não esteja em sermos mais ou menos sociais, mas em sermos mais honestos com o que precisamos em cada momento.
A energia é uma questão fisiológica, não de vontade. O teu sistema nervoso tem um limite para o estímulo, tal como o corpo tem um limite para o esforço físico. Quando o ultrapassas, o cansaço e a irritação aparecem, não porque sejas “bicho do mato”, mas porque és humano.
Aprender a respeitar esse limite é libertador. Significa largar as vozes que dizem que “és antissocial” ou “difícil”. Estar bem é escolher estar presente com as pessoas que não te drenam, aquelas com quem podes ser tu, em silêncio ou em conversa.
No fundo, não se trata de fugir do mundo, mas de te manteres inteiro dentro dele.
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Ana Relvas, Ph.D & Consultora de Desempenho
Ana Relvas é a propulsora da Objetivo Lua, projeto que cresceu da sua vontade em ajudar outros a concretizarem o seu potencial e foi construído sobre uma carreira de mais de 10 anos como Gestora e Engenheira Aeroespacial.
É esta experiência que, aliada à formação como Coach e Master Practitioner em Programação Neurolinguística, permite entender os desafios profissionais atuais e desenhar programa para cada pessoa, equipa ou empresa.







