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Tenho ouvido muita gente falar que trabalha muito mais horas do que seria expectável, que há sempre gente no escritório até tarde e que têm dificuldade em desligar-se e conciliar a vida profissional e pessoal. Esta realidade é cada vez mais uma constante em profissões cognitivas, com pessoas com alta formação e bem pagas. Curiosamente cada vez conheço mais histórias de Portugueses que vão trabalhar para fora, em particular para a Alemanha e países nórdicos, onde ficar no escritório depois das 17 é sinal de baixa performance e de alguma incompetência. Há chefes que lhes perguntam “o que é que há de errado consigo?” e há empresas que a partir dessa hora desligam as luzes.

Embora estas histórias sejam exemplo de que há sítios onde é possível realizar trabalho de qualidade dentro do horário de trabalho, o culto do trabalho extra é uma realidade cultural na maior parte dos sítios do mundo.

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Se mais horas não equivalem a mais resultados, o que leva a este fenómeno?

O hábito da má gestão: Trabalhar mais horas é a solução mais fácil e reflete muitas vezes não só falta de planeamento individual mas principalmente má gestão e organização do trabalho. Por outro lado é uma solução com menos custos (aparentes) já que uma pessoa acaba por fazer trabalho de várias pelo custo de uma. Como muitas vezes sempre foi feito assim e esse é o exemplo de liderança que tiveram, há líderes que nem param para pensar sobre como mudar isso. Hoje em dia com necessidade de reduzir custos e dar resposta rápida aos clientes o problema agravou-se.

Ilusão de que as horas medem produtividade e resultados: Em certas áreas, as empresas recompensam trabalhar mais horas do que trabalhar de um modo mais inteligente. A produtividade é medida em horas e por vezes as pessoas são pagas pelas horas que dedicam a um determinado projeto.

Sair a horas parece mal: falo aqui da realidade portuguesa, onde os chefes ficam até tarde no escritório e muitas pessoas se sentem mal em sair porque “pode parecer mal e que não se estão a esforçar”. Muitas vezes a pressão nem é dos chefes mas dos colegas que em brincadeira dizem a quem sai às 18 “vais tirar a tarde?”. Mais uma vez, premeia-se quem fica até tarde mesmo que isso seja só o resultado de não ter sido eficiente e eficaz durante o dia.

Trabalhar muito é prova social de prosperidade: para algumas pessoas trabalhar muito é sinónimo de prosperidade e sucesso.

O mito de que estar permanentemente contactável é inevitável: mesmo quando a presença física no escritório não existe para além do horário de trabalho, hoje em dia há a expetativa que estejamos sempre contactáveis e muitos continuam ligados por email e telefone 24/7. A exigência de resposta imediata de muitos e a aceitação de que isso é normal deixou cair as barreiras entre vida pessoal e profissional. Sendo que é salutar haver flexibilidade de ambas as partes, expeculo que a vida pessoal de muitos é a que tem demonstrado maior flexibilidade e ganho menos com o acordo implícito.

Quais são os resultados?

Piores resultados: Trabalhar muitas horas e reduzir o descanso (e estar em casa a ver o email não é descansar) reduz a qualidade do trabalho. Esquecemos o que já sabemos de outras áreas como por exemplo que os resultados dos trabalhadores industriais que trabalham muitas horas geram mais erros e acidentes no trabalho. Está provado que quando não descansamos e não dormimos, estamos a reduzir as nossas capacidades cognitivas, a nossa criatividade e a nossa capacidade de resolver problemas. Ao mesmo tempo, fazer pausas ao longo do dia aumenta a produtividade individual e da equipa.

Problemas de saúde/os novos velhos: O stress, a falta de descanso, a falta de tempo para uma vida equilibrada tem impacto na saúde a curto e médio prazo. Além de enfraquecer o nosso sistema imunitário, tornando-nos mais suscetíveis a problemas de saúde no dia-a-dia, aumenta também a probabilidade de doenças como cancro, enfartes e diabetes. Conheço muita gente na casa dos 50 e 60 com um ar jovem e com energia. Conheço também outros na casa dos 30 e muitos, 40 que parecem muito mais velhos e cansados.

Pessoas mais felizes e saudáveis estão mais motivadas e produzem melhores resultados

Uma das coisas que reduz o empenho e ligação à empresa é o ressentimento que cada um vai acumulando dia após dia. Uma empresa que genuinamente se preocupe com o bem-estar dos colaboradores tem maiores hipóteses de que estes se sintam mais ligados e dêem o seu melhor. Deixo algumas sugestões para lidar com o culto das horas extra.

Trabalhe inteligente: focar-se nos resultados que quer atingir, repensar o modo como o trabalho é feito, tornar os processos mais ágeis, planear melhor as necessidades e alocações contribui para que as horas sejam suficientes. Muita gente diz “isso é impossível” porque dependem de causas que não controlam (clientes e fornecedores) e isso impede-os de mudar alguma coisa. Às vezes não podemos mudar tudo, não conseguimos o cenário perfeito mas isso não nos deve impedir de começar por algum lado. Lembro-me da Toyota que quando desenvolveu o sistema Lean de produção não ficou paralisada com o facto de os fornecedores não estarem preparados para isso.

Defina limites e não se comprometa com o que não pode fazer: se não definir limites, se não tiver consciência do que consegue fazer com o tempo que tem, muito dificilmente serão outras pessoas que dirão “não faça isso porque já tem muitas coisas nas suas mãos”.

Dê o exemplo: se gere equipas e ocupa posições de liderança passe a mensagem que valoriza que as pessoas tenham tempo para a sua vida pessoal. Não seja o último a sair e não responda ou envie emails fora de horas pois implicitamente está a passar a mensagem que esse é o comportamento que espera que todos tenham. Crie uma cultura que permeie aqueles que atingem as metas de um modo eficiente e eficaz.

Estas sugestões são a ponta do iceberg. O primeiro passo é decidir se está disposto a aceitar que trabalhar muitas horas não é inevitável. Depois disso, comece a encontrar soluções agindo sob aquilo que está dentro do seu controlo.

 

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Ana Relvas, Ph.D & Consultora de Desempenho

Ana Relvas é a propulsora da Objetivo Lua, projeto que cresceu da sua vontade em ajudar outros a concretizarem o seu potencial e foi construído sobre uma carreira de mais de 10 anos como Gestora e Engenheira Aeroespacial.

É esta experiência que, aliada à formação como Coach e Master Practitioner em Programação Neurolinguística, permite entender os desafios profissionais atuais e desenhar programa para cada pessoa, equipa ou empresa.

 

 

 

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