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Algumas pessoas têm dificuldade em responder negativamente quando lhes pedem alguma coisa, fazem um convite ou desafiam para um novo projeto e, por isso, o seu tempo acaba preenchido de coisas que não querem ou têm tempo para fazer. Isto acontece na nossa vida profissional e pessoal.

Para dizermos “sim” às nossas prioridades, precisamos de estar dispostos a dizer “não” a outras coisas. E é curioso que, para muitos de nós, parece mais fácil dizermos “não” a nós mesmos do que dizermos “não” aos outros.

E por vezes não estamos só a dizer “não” a nós mesmos. Já ajudei várias pessoas que ao não terem sido capazes de dizer “não” a convites para projetos, eventos sociais ou pequenas tarefas, acabaram por roubar tempo com a família dizendo às pessoas que lhes estão mais próximas “não”.

Embora seja uma realidade física que temos dificuldade em reconhecer, é importante aceitarmos que o tempo é limitado e por isso nem sempre possível aceitarmos/fazermos tudo o que nos pedem.

Porque é que isto é tão difícil?

Já li (não consigo recuperar a fonte) que o medo da rejeição é uma questão evolutiva. Quando vivíamos em pequenas comunidades, a rejeição da comunidade podia significar ser expulso e não sobreviver literalmente. Alguém que se recusasse a ajudar o vizinho ou a contribuir para o grupo podia ser ostracizado e ficar exposto às feras e intempéries do mundo.

Até as bactérias rejeitam as que não colaboram, como explicado pelo professor António Damásio no livro “A estranha ordem das coisas”.

Atualmente a nossa sobrevivência não está em jogo mas continuamos a ter medo. Temos medo de estarmos a fechar portas, ou sermos vistos como pouco cooperantes, com pouco “espírito de equipa” ou pouco amigos. A comunidade alargou-se num mundo cada vez mais preenchido de coisas para fazer e todos esperam que os outros estejam disponíveis e sejam capazes de fazer o seu tempo esticar. E nós também esperamos isso de nós e dos outros.

Por outro lado, como estudou o Tim Ferris, as pessoas admiram e respeitam quem consegue dizer não. Parece que essas pessoas têm o controlo da sua vida e estão focadas naquilo que é importante. A questão é como é que isso se comunica de modo a manter relações e a continuar a ajudar.

É importante conseguirmos avaliar aquilo a que devemos mesmo dizer não, em particular, para atividades/projetos/convites que possam consumir tempo considerável.

Para isso é importante termos claro QUAIS SÃO AS COISAS MAIS IMPORTANTES PARA NÓS a nível pessoal e profissional e avaliarmos como é que essa atividade está alinhada com o que é mais importante para nós. Ou quais são os compromissos que já assumimos e que podem ser postos em causa com um sim.

Caso digamos sim a essa atividade, o que estamos a dizer a nós mesmos é: a atividade a que dissemos sim é mais importante do que achávamos que era mais importante até então.

Há pessoas que têm uma espécie de ORÇAMENTO DE TEMPO PARA ACEITAREM CONVITES/PROJETOS e quando consomem esse orçamento, passa a ser muito mais fácil dizer “não posso”.

Ou como na anedota “Não posso. O meu médico diz que eu não quero.”

Há quem tenha um orçamento de tempo ou REGRAS como “não faço esse tipo de projetos” ou “o fim-de-semana é sempre para a família”.

O orçamento e as regras tornam o dizer não menos pessoal. Nestes casos devemos dizer não de um modo sincero e simpático explicando que não estamos a envolvermo-nos nesse tipo de atividade pois estamos focados noutros projetos, ou temos essa regra. Sem entrar em detalhes, sem dar muitas justificações nem descrevendo o que temos em mãos. Isso parece que de alguma maneira nos desculpa mas pode tornar a conversa interminável ou gerar julgamentos do outro lado.

Se é um convite pessoal podemos dizer “não posso ir”. E lembrarmo-nos que não precisamos de dar justificação da razão.

Se quisermos mesmo dar algum tipo de justificação, podemos usar o argumento de que para fazer o que nos pedem, vamos deixar outras pessoas penduradas. Este argumento tende a criar uma imagem de que na realidade nos importamos com os outros.

Outra alternativa é dizer “AGORA NÃO POSSO”, ou seja, não estamos a dizer não. Estamos só a procurar uma altura mais conveniente para o fazer. E isto pode-se aplicar a grandes e pequenos pedidos. Um colega (ou mesmo o chefe) pede-nos algo e podemos responder “Não consigo fazer isso hoje, mas consigo no início da próxima semana. Está bem para ti?”. Talvez essa pessoa acabe por arranjar outra solução.

Podemos, e devemos (sempre) investigar qual é o prazo real que a nossa contribuição é necessária. Às vezes somos nós que nos chegamos à frente a comprometermo-nos com um prazo curto que não é necessário com um “Envio isso ainda hoje”. Será que é mesmo preciso hoje?

Se gerimos uma equipa, podemos também PEDIR A ALGUÉM DA NOSSA EQUIPA PARA O FAZER (aceitando que essa pessoa nos pode dizer não). Às vezes projetos ou atividades que não são interessantes para nós podem ser uma oportunidade entusiasmante para colegas mais novos.

Podemos também AJUDAR A PESSOA DANDO SOLUÇÕES ALTERNATIVAS PARA RESOLVER A SITUAÇÃO sugerindo por exemplo outra pessoa que possa ajudar ou indicando recursos (uma ideia, um documento, uma ferramenta) que a ajude a avançar sem nos envolvermos.

Podemos também dizer um “NIM” RENEGOCIANDO O ÂMBITO, ou seja, não podemos fazer tudo o que nos estão a pedir, mas podemos fazer algo que ajude com menos investimento do nosso lado.

É o clássico “não vamos jantar, mas passamos ao fim da noite para cantar os parabéns”.

Por fim, antes de aceitarmos, podemos “PASSAR A BOLA” PARA O OUTRO LADO, ou para reduzir o trabalho do nosso lado ou acabar por levar os outros a desistirem. Aqui podemos indicar que, para fazer o que nos pedem, precisamos por exemplo de mais informação ou de algum recurso.

Se QUEREMOS DIZER SIM, ou porque a atividade nos interessa ou porque sentimos a obrigação de o fazer, devemos avaliar se temos as condições para o fazer, ou seja, QUAL O IMPACTO QUE DIZER SIM TERÁ EM TUDO O RESTO E REDEFINIR PRIORIDADES.

Na maior parte das vezes não paramos para pensar nisso. Não avaliamos se temos tempo pois isso custa e dizer não também custa. Por isso, é mais fácil adiar o problema, dizer sim agora e depois logo se vê.

Se o pedido é do chefe, pode ser útil pedir-lhe ajuda para redefinir prioridades. Por exemplo “Para fazer isso, não vou conseguir cumprir o prazo de outras coisas.” e atrevermo-nos a dar ideias como “podemos adiar o prazo de outra coisa”, “o colega pode fazer o que estava previsto ser eu a fazer”, “podemos reduzir o âmbito”, “podemos renegociar o prazo com…”.

Pode também valer a pena COMPRAR TEMPO PARA AVALIAR A RESPOSTA, ou seja, em vez de darmos logo resposta, indicarmos que precisamos de ver a agenda ou confirmar com alguém a disponibilidade, pensar sobre isso, etc. Daremos a resposta mais tarde.

Mas damos resposta pois IGNORAR O PEDIDO É PIOR DO QUE DIZER NÃO. Às vezes para evitarmos lidar com a situação que achamos desagradável (dizer não), adiamos a resposta até nunca, ignorando a pessoa o que é mais desagradável do que dizer não. Só que é um desagradável com que não temos de lidar agora.

Por fim, é importante APRENDERMOS A LIDAR COM A CULPA, dizendo não com confiança, indo buscar determinação lembrando que é importante para nós, para que que estamos a criar tempo profissional e pessoal dizendo não? Reconhecer o que é importante para nós, dá-nos força.

E agora?

Para terminar deixo-lhe uma sugestão.

Escreva 3 coisas que gostava de dizer não (ou que costumam surgir, ou que surgiram no passado, ou que prevê que possam surgir no futuro). Reveja as sugestões deste artigo e, para cada uma dessas coisas, identifique quais as estratégias mais adequadas.

E para uma inspiração extra, termino com uma frase do Henry Ford:

“Quer acredite que consegue fazer uma coisa ou não, você está certo.”

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Ana Relvas, Ph.D & Consultora de Desempenho

Ana Relvas é a propulsora da Objetivo Lua, projeto que cresceu da sua vontade em ajudar outros a concretizarem o seu potencial e foi construído sobre uma carreira de mais de 10 anos como Gestora e Engenheira Aeroespacial.

É esta experiência que, aliada à formação como Coach e Master Practitioner em Programação Neurolinguística, permite entender os desafios profissionais atuais e desenhar programa para cada pessoa, equipa ou empresa.

 

 

 

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