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Quando o feed decidiu o que eu precisava de aprender
Um dia fiz aquilo que quase todos fazemos sem pensar: cliquei num vídeo. Era um vídeo de alguém a mostrar como fazer o tuck perfeito da t-shirt. Eu nem tinha nome para o “tuck”. Parecia inofensivo, quase útil até.
O problema é que o algoritmo achou que eu tinha descoberto uma nova vocação. De repente, o meu feed encheu-se de tutoriais sobre dobras, nós e truques de arrumação para problemas que nunca tive.
Foi aí que reconheci claramente: o algoritmo estava-me a ensinar a ver problemas onde não existiam para depois me dar a solução para coisas que até esse momento não tinham sido um problema. 🤯
O risco real do scroll automático
O que hoje já está bem documentado é simples: consumir conteúdos rápidos e constantes altera a forma como a nossa atenção funciona. Não é só distração. É um desgaste subtil, quase invisível.
É como se o cérebro, sempre a saltar de estímulo em estímulo, fosse perdendo alguma da sua força de foco e de decisão.
Alguns estudos mostram mesmo alterações em zonas do cérebro ligadas à regulação emocional, ao controlo de impulsos e à memória. Outros descrevem uma perda progressiva de atenção contínua.
Em suma: o que parece inofensivo pode, com o tempo, reduzir a nossa capacidade cognitiva. Há quem lhe chame Brain rot, literalmente podridão cerebral.
O que estou a tentar fazer no meio deste ruído
Como não quero sair das redes, quero pelo menos estar nelas de uma forma diferente.
Como criadora de conteúdos continuo a precisar de jogar o jogo do algoritmo mas mesmo assim quero de vez em quando contrariá-lo.
Por isso, todas as quartas-feiras publico vídeos curtos, só de 20 segundos, sem som, sem grande narrativa, sem “valor imediato”.
Não são feitos para entreter, nem para ensinar nada. São pequenos micro-refúgios no feed, convites silenciosos.
Não é apenas uma resposta ao ruído das redes. É um treino. Uma forma de mostrar ao algoritmo que podemos escolher abrandar.
E se o feed pudesse alimentar o cérebro em vez de o consumir?
Se já tiveste aquela sensação de “oh, mais um vídeo inútil e barulhento” enquanto deslizas o feed, convido-te a experimentar outra coisa quando publico estes vídeos às quartas-feiras:
Pára o scroll durante 20 segundos.
Deixa-te estar a ver o vídeo.
E respira com um leve sorriso.
Se fizer sentido, partilha.
A qualidade dos vídeos não é extraordinária. Os planos não mudam a cada segundo.
É de propósito. É vida a ser observada.
Talvez não resolvam nenhum problema prático. Talvez nem tenham um “objectivo útil”. Mas talvez te deem algo que vale mais do que o barulho do entretenimento e das soluções para problemas que não tens: um momento contigo.
E se for este pequeno nada que te dá o que te está a fazer falta?
Publico estes vídeos nas redes:
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Ana Relvas, Ph.D & Consultora de Desempenho
Ana Relvas é a propulsora da Objetivo Lua, projeto que cresceu da sua vontade em ajudar outros a concretizarem o seu potencial e foi construído sobre uma carreira de mais de 10 anos como Gestora e Engenheira Aeroespacial.
É esta experiência que, aliada à formação como Coach e Master Practitioner em Programação Neurolinguística, permite entender os desafios profissionais atuais e desenhar programa para cada pessoa, equipa ou empresa.







