Tempo de Leitura: 3 minutos

“Nunca desistas!”

“Nunca desistas.” é uma expressão “motivadora” da moda que pode ser um conselho mesmo mau.

“Desiste!” Ouve-se pouco nos dias de hoje.

Confesso que a provocação “motivadora” do “Vais desistir? Hum, vais desistir?” no ginásio sempre teve o efeito contrário em mim. Fazia-me rolar os olhos. Sempre me deu mais forças o ter alguém ao meu lado a dizer “Acredito em ti, sei que consegues, eu ajudo-te, estou aqui contigo, só mais 5 segundos”. Mas pronto, este é o “programa” que eu corro. E não é sobre isso que quero falar.

Mas este exemplo ilustra do como a ideia de “desistir” é mal vista. Estamos imersos numa cultura em que a coragem e a capacidade para ultrapassar obstáculos é celebrada. E isso é bom. Só que nos pode cegar e impedir de avaliar a situação.

E isso leva a que alguns não pararem de investir na empresa que criaram e não traz resultados. Outros a despedirem-se de um trabalho que os vai matando lentamente. Outros a mudarem de carreira que odeiam. Outros a saírem de uma relação. Outros…

Gosto especialmente do conceito do livro “The dip” do Seth Godin que defende que os vencedores (seja lá o que isso for) estão sempre a desistir, mas o que os distingue é saberem quando fazê-lo. O Seth representa num gráfico os resultados em função do esforço.

E neste gráfico está representado um ponto em que não se está a ter os resultados desejados por uma de duas razões:

(1) Estamos no buraco e é uma fase necessária para que os resultados surjam (o que requer dedicação, disciplina e trabalho); no fundo uma barreira que, como só alguns estão dispostos a investir, faz a distinção dos que têm e não têm sucesso;

(2) Estamos num beco sem saída que, apesar de todo o esforço, não gerará resultados. E neste caso não é um buraco. É um planalto. Um planalto de insatisfação.

Grafico resultados vs esforço: dip  seth godin

O Seth escreve sobre resultados no trabalho/negócios, mas para mim faz sentido estender isto para além do emprego e carreira, para observarmos o nosso nível de satisfação por exemplo nas relações e na vida em geral.

Continuarmos a esforçarmo-nos (a investir tempo, dinheiro, e energia) ali valerá a pena? Um dos problemas é que quando estamos no buraco pode não ser claro se mais um esforço compensará.

Mas não é só isso. A situação pode tornar-se perigosa devido ao conselho do “Nunca desistas” levando alguns a investirem o que não têm por exemplo num projeto, ou a investirem a sua energia e saúde num emprego sem saída chegando a pontos de burnout (no podcast casa trabalho casa temos uma série de 4 episódios este mês sobre o tema do burnout).

De uma certa maneira sabemos que conseguimos reagir ao perigo óbvio (como o sapo que salta imediatamente quando cai na panela com água a ferver) mas deixamo-nos ir cozendo na insatisfação que vai crescendo porque não vemos o perigo(como o sapo na panela em que água vai aquecendo lentamente até ferver).

Uma estratégia sugerida pelo Seth Godin é definirmos antecipadamente quais são as condições que nos levarão a desistir, a sair dali. No fundo quais são os nossos limites. Uma espécie de contracto connosco mesmos. Qual a temperatura da água para saltarmos da panela. E a chave aqui é fazê-lo ANTECIPADAMENTE pois quando estamos no buraco podemos acabar por tomar uma medida impulsiva.

Esta história do sapo é um mito. O sapo, ao contrário de muitos de nós, tem a capacidade de repensar a situação e sair dali.

E qual é uma das fontes da dificuldade de repensar e sair dos becos sem saída?

Uma das razões tem um nome. É um programa mental chamado “Escalada irracional do compromisso”: tomámos uma decisão (às vezes até contra conselhos dos outros) e fizemos um investimento dos nossos recursos (naquele negócio, carreira, emprego, relação). E quando descobrimos que foi uma má escolha, em vez de repensar, queremos provar que tomámos uma boa decisão e continuamos a investir. Muitos negócios afundam-se ainda mais assim. Muitas carreiras também. E vidas.

Acreditamos que “se me esforçar o suficiente, vou dar a volta a isto”.

Além disso, por vezes temos medo.

Medo não só de não sermos capazes de ultrapassar o problema, mas também de isso pôr em causa a nossa identidade. Identidade que somos levados associar aos papéis que estamos ali a desempenhar. A etiqueta que nos colocamos. E se não somos esse papel, quem somos? Lembro-me que quando mudei de carreira ter tido dificuldade em largar a etiqueta de engenheira e, durante algum tempo, ainda dizia isso quando me perguntavam a profissão. 😊

Talvez estejamos também agarrados à identidade da pessoa que não desiste, não conseguindo criar eus alternativos.

Não há vergonha em desistir. Talvez nos servisse mais ter vergonha de não parar para pensar e reavaliar as situações.

De não conhecermos os nossos limites e o que é mais importante para nós.

Ninguém é menos por isso. E para desistir é muitas vezes preciso ter coragem. Acredito eu. E isso é ser vencedor (seja lá o que isso for).

CURSO ONLINE

FERRAMENTAS

Porque todos merecemos tempo…

Porque todos merecemos tempo…

O tempo é um dos recursos mais limitados que temos por isso é um presente tão precioso. Não há nada que possamos fazer para esticar as 24 horas que cada dia nos oferece, mas há muita coisa que podemos fazer...

read more

AO COMANDO DA OBJETIVO LUA

Ana Relvas, Ph.D & Consultora de Desempenho

Ana Relvas é a propulsora da Objetivo Lua, projeto que cresceu da sua vontade em ajudar outros a concretizarem o seu potencial e foi construído sobre uma carreira de mais de 10 anos como Gestora e Engenheira Aeroespacial.

É esta experiência que, aliada à formação como Coach e Master Practitioner em Programação Neurolinguística, permite entender os desafios profissionais atuais e desenhar programa para cada pessoa, equipa ou empresa.

 

 

 

Soluções   Cursos   Recursos
Quem Somos   Blog   Contactos

 

 

 

Copyright © 2018 Objetivo Lua. Todos os direitos reservados. Powered by Business Config.