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Hoje tudo parece urgente.
Tudo tem de ser respondido de imediato. Tudo precisa de seguimento. Tudo vem com pressão.
A urgência tornou-se quase um vício: dá sensação de importância, de movimento e de controlo.
Mas também rouba critério, empurra decisões apressadas e transforma o trabalho numa corrida permanente. E desgasta.
Ainda assim, nem toda a urgência vem do mesmo lugar e há três tipos de urgências que quero explorar aqui.
À superfície, parece tudo igual: mensagens insistentes, prazos apertados, pedidos de última hora, “só mais uma coisa”.
Mas a forma de responder não deve ser a mesma.
Tipo 1: A pessoa que quer sempre mais
É a pessoa que procura intensidade, novidade e resultados rápidos.
Quer mais impacto, mais velocidade, mais ambição, mais uma versão, mais uma ideia, mais um esforço.
O problema é que o “mais” raramente acaba. Quando se entrega uma coisa, aparece outra. Quando se fecha uma etapa, surge uma nova expectativa.
O risco é ficar constantemente a correr atrás de expectativas que nunca estão saciadas.
Aqui, a resposta não é disponibilidade total. É definir limites e foco.
Pode dizer:
“Isto é o que consigo entregar esta semana. Vamos alinhar expectativas para o resto.”
Ou:
“Quando X estiver feito, encerramos este ponto.”
Ou:
“Amanhã envio a informação.”
Esta pessoa precisa, acima de tudo, de limites assertivos.
Tipo 2: A pessoa que quer fechar o assunto
Esta pessoa não quer necessariamente mais.
Quer resolver. Acabar. Despachar. Ficar em paz.
A urgência nasce do desconforto de ter assuntos em aberto. Por isso insiste, pressiona e procura uma resposta rápida.
O risco é ser empurrado para decisões apressadas ou respostas que não consegue sustentar alimentando o ciclo.
Aqui, a resposta não é ceder à pressão. É dar estrutura e previsibilidade.
Pode dizer:
“Vou tratar disto até sexta. Pretende que o mantenha atualizado?”
Ou:
“Percebo que queira resolver isto já. Para garantir qualidade, preciso de X tempo.”
Esta pessoa precisa de sentir que pode confiar em si. Não precisa que tudo seja fechado no momento em que a ansiedade aparece.
Tipo 3: A pessoa que anda à deriva
Esta pessoa parece desorganizada.
Muda de ideias, mistura temas, faz pedidos vagos, começa num ponto e salta para outro.
Mas, muitas vezes, o problema não é falta de vontade. É falta de clareza.
A urgência nasce da confusão.
O risco é ser arrastado para uma confusão que nem a própria pessoa ainda conseguiu organizar.
Aqui, a resposta não é tentar resolver tudo. É ajudar a ordenar.
Pode dizer:
“Há três tópicos aqui. Qual deles é prioritário agora?”
Ou:
“O que é preciso exatamente aqui?”
Ou ainda:
“Não consigo dar resposta a tudo agora. Vamos focar-nos num ponto?”
Esta pessoa precisa de ajuda para organizar ideias e prioridades. Não precisa que absorva o caos.
A pergunta não é apenas: isto é urgente?
A pergunta mais útil é: De onde vem esta urgência?
Se vem de desejo, precisa de limites.
Se vem de desconforto, precisa de confiança.
Se vem de confusão, precisa de clareza.
Nem toda a urgência pede velocidade. Às vezes, a resposta mais útil é devolver foco, ordem e critério.
E como li num livro do Bruno Nogueira, “o que é urgente é saber esperar”.
PS: Já agora, se quer descansar a cabeça sem pressas, e está por Lisboa, junte-se a mim no Dê-Vagar.
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Ana Relvas, Ph.D & Consultora de Desempenho
Ana Relvas é a propulsora da Objetivo Lua, projeto que cresceu da sua vontade em ajudar outros a concretizarem o seu potencial e foi construído sobre uma carreira de mais de 10 anos como Gestora e Engenheira Aeroespacial.
É esta experiência que, aliada à formação como Coach e Master Practitioner em Programação Neurolinguística, permite entender os desafios profissionais atuais e desenhar programa para cada pessoa, equipa ou empresa.





