Anda cansado. Trabalha muitas horas. Chega a casa sem energia. A lista de tarefas e emails não acaba…e ainda lhe dizem que trabalhar muito é sinal de incompetência? Não há paciência…
Respire fundo. Vamos por partes.
Ninguém “É” incompetente
Não estou a dizer que as pessoas que trabalham muito “SÃO” incompetentes. Provavelmente “SÃO” competentes no seu trabalho. Entregam resultados. Não deixam ninguém na mão.
Ninguém “É” incompetente. A incompetência não é uma característica inata que se é ou não é. O que acontece é que há áreas que dominamos melhor do que outras, que temos mais ou menos estratégias, mais ou menos conhecimento, sabemos ou não sabemos fazer, que estamos mais ou menos motivados.
Por exemplo há pessoas que ainda não adquiriram a competência de fazer o seu trabalho em menos tempo ou saber quando parar. 🙂
Se tivermos “sorte”, teremos líderes que nos ajudam a lidar com as áreas em que precisamos de melhorar. Se não tivermos “sorte”, colocam-nos a etiqueta de “incompetentes” que por vezes é difícil de descolar.
Mais uma vez, em Portugal…
Hoje em dia, em Portugal, trabalhar muitas horas é visto como uma coisa boa, como sinal de sucesso (seja lá o que isso for): “Esforça-se tanto, é sempre o último a sair”, “Dá tudo por tudo”, “Muito empenhado”.
Li há uns dias uma crónica no Observador em que o autor falava de alguém que trabalhava numa multinacional com um horário de 11 a 12 horas por dia, saindo raramente antes das 20 horas. Surgiu a oportunidade para ir para a mesma empresa em Londres. Note que foi para a mesma empresa! Após duas semanas a cumprir o mesmo horário, foi chamado pelo diretor que lhe perguntou se havia algum problema com o seu casamento. Estar tanto tempo no escritório era doentio e provavelmente significava falta de vontade de voltar para casa.
O que melhorar?
Quando trabalhar muitas horas é a regra (em vez da exceção que por vezes acontece e ser flexível para o acomodar é essencial), isso pode significar que há várias competências que podem ser melhoradas:
- Nível individual:
- Falta de capacidade para planear e comprometer-se com aquilo que tem capacidade para fazer (o tempo é limitado e muitos de nós esquecem-se disso, ou não têm noção do tempo disponível que têm e do tempo que as coisas demoram a fazer);
- Falta de capacidade para gerir riscos e imprevistos;
- Falta de capacidade de foco e eficiência;
- Falta de pragmatismo;
- Falta de capacidade para dizer não;
- Nível da liderança
- Falta de competência de planeamento e gestão de recursos;
- Falta de estratégia e avaliação de custo-benefício;
- Falta de capacidade para gerir expetativas dos stakeholders;
- Falta de respeito pela vida pessoal das equipas.
Três passos
O primeiro passo é aceitar que trabalhar muitas horas não é uma qualidade, não é sinal de competência, mas um sintoma de que algo não está bem.
O segundo passo é aceitar que não vai conseguir mudar tudo mas que há com certeza coisas que podem ser transformadas a nível individual, ao nível da gestão e da cultura da empresa.
O terceiro passo é começar, mesmo que com pequenos passinhos, a desenvolver essas competências.
“A melhor altura para plantar uma árvore foi há 20 anos atrás. A segunda melhor altura é agora.”
Provérbio Chinês
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Ana Relvas, Ph.D & Consultora de Desempenho
Ana Relvas é a propulsora da Objetivo Lua, projeto que cresceu da sua vontade em ajudar outros a concretizarem o seu potencial e foi construído sobre uma carreira de mais de 10 anos como Gestora e Engenheira Aeroespacial.
É esta experiência que, aliada à formação como Coach e Master Practitioner em Programação Neurolinguística, permite entender os desafios profissionais atuais e desenhar programa para cada pessoa, equipa ou empresa.








