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Todos nós temos áreas em que tomamos mais iniciativa, outras em que tomamos menos. Penso na iniciativa como a energia, a vontade para fazer algo, por algo a andar, um “chegar-se à frente”.

É comum os meus clientes que gerem equipas referirem, nos cursos ou nos programas de mentoring, a falta de iniciativa das suas equipas. Gostavam que estas pessoas antecipassem problemas e os resolvessem, dessem sugestões, resolvessem problemas. E o que observam é que alguns se limitam a “despachar” tarefas, a fazerem o que lhes mandam.

Neste artigo partilho algumas das causas que temos identificado. Não é uma lista exaustiva, mas são alguns padrões que podem resultar de condições culturais/organizacionais e algumas vezes do comportamento do próprio gestor que bloqueiam a motivação (motivo para a ação) de tomar a iniciativa.

  1. Falta de informação sobre o que se pretende alcançar, a importância/porquê de uma atividade e o seu impacto

Se quem executa não percebe o porquê do que faz ou de fazer algo de uma determinada maneira, perde a capacidade de tomar decisões que permitam ajustar o trabalho para satisfazer esse propósito da melhor forma. Por exemplo:

-Pode perceber que pode atingir esse propósito de um modo mais produtivo e dar essa sugestão ou tomar a iniciativa de o fazer (resolve o problema em vez de despachar a tarefa como lhe mandaram)

-Pode perceber o impacto do seu trabalho no dos outros e antecipar problemas

-Pode identificar riscos e oportunidades e trazer isso para cima da mesa

-Pode exceder-se porque percebe qual é o problema e a importância do esforço extra

Por isso, é mesmo importante manter uma comunicação aberta (vs. “need to know basis”) sobre a empresa e enquadrar o trabalho que cada um realiza. Esta abordagem é também um fator que contribui para a motivação (cuja falta também promove a falta de iniciativa).

  1. Confiança de que alguém está a tratar

Pode acontecer alguém não tomar iniciativa para, por exemplo, acompanhar ou resolver um problema porque acredita que outra pessoa está a tratar disso ou “não é a minha função”.

Aqui há pontos que pode valer a pena avaliar:

Será que a cultura da empresa promove “quintinhas”? Cada um é responsável pela sua “quinta” sem perceber que faz parte de algo maior e que o seu sucesso depende do sucesso de todos.

Será que há a cultura de que a função de cada um é fazer o que lhe mandam, restringir-se às suas responsabilidades, e o problema dos colegas é problema dos colegas ou há uma cultura de trabalho em equipa, de que todos estão ali para contribuir para algo, independentemente da sua posição?

Ou será que há falta de comunicação/coordenação sobre quem deve acompanhar/resolver?

  1. Medo de errar

A falta de iniciativa pode existir porque há medo de errar ou de fazer algo que não devia, ou melindrar alguém.

Por exemplo, não tomar sistematicamente decisões sem perguntar pode ser um sintoma do medo de errar.

A cultura de feedback agressivo ou pouco construtivo alimenta esta atitude. A cultura da falta de reconhecimento e apoio também.

  1. Não querer mais trabalho ou conflitos

Tomar a iniciativa dando por exemplo uma sugestão pode implicar mais trabalho ou conflitos (também conhecido como “chatices”). Numa cultura em que parece haver a ilusão de que o tempo estica e que cada um pode sempre fazer mais “por amor à camisola” como resposta à falta de recursos e capacidade de gestão, pode ser natural que cada um não tenha estímulo para fazer mais do que já lhe estão a pedir.

  1. Não se sentir ouvido

Se no passado alguém deu uma sugestão, levantou um problema e nada aconteceu (e não lhe foi explicado o porquê), é natural que não sinta vontade em voltar a ter essa iniciativa.

A falta de reconhecimento e desconfiança também podem ser aqui um fator.

  1. Falta de…

Quando alguém está num estado de falta de motivação, ou autoconfiança, ou saber fazer algo, é natural que não tome iniciativa.

 

São sempre histórias

Estas causas podem-se resumir a “histórias” que justificam a falta de iniciativa.

Por isso, tantas vezes promovo que quem gere equipas descubra as histórias das suas equipas, em que acreditam, o que os move, o que os bloqueia pois há a possibilidade dessas histórias serem diferentes das histórias de que quem gere conta.

E talvez nenhuma destas histórias esteja completamente errada. São interpretações que cada um faz com base na informação que tem.

Por isso, em vez de partir do princípio que alguém não tomar iniciativa é uma característica natural, deixo a ideia de descobrir a história, o motivo e o que está a acontecer a nível da cultura da empresa e da gestão que promove a falta de iniciativa. Talvez não descubra nada. Ou talvez descubra e possa tomar a iniciativa de o corrigir.

Se gere equipas e quer ajuda a promover a iniciativa da sua equipa, espreite os cursos que ofereço sobre este tema.

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AO COMANDO DA OBJETIVO LUA

Ana Relvas, Ph.D & Consultora de Desempenho

Ana Relvas é a propulsora da Objetivo Lua, projeto que cresceu da sua vontade em ajudar outros a concretizarem o seu potencial e foi construído sobre uma carreira de mais de 10 anos como Gestora e Engenheira Aeroespacial.

É esta experiência que, aliada à formação como Coach e Master Practitioner em Programação Neurolinguística, permite entender os desafios profissionais atuais e desenhar programa para cada pessoa, equipa ou empresa.

 

 

 

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